Com seis
jogadores estrangeiros no elenco, recorde entre os clubes da Série A do
Brasileiro deste ano, o Flamengo aposta também em um técnico de fora para
voltar aos trilhos na temporada. Para acelerar a adaptação à língua, aos
costumes e, principalmente, ao estilo de jogo no país, o colombiano Reinaldo
Rueda, de 60 anos, terá ajuda dos compatriotas Berrío e Cuellar caso seja
oficializado como o novo treinador rubro-negro. Os argentinos Mancuello e Conca
e os peruanos Guerrero e Trauco também ajudam.
As negociações
entre Flamengo e Rueda estão avançadas. O treinador já aceitou a proposta do
Rubro-Negro, mas ainda restam detalhes para o anúncio. Por isso, Jayme de
Almeida, que comandou a equipe na goleada por 5 a 0 sobre o Palestino, nesta
quarta, segue no comando para o jogo contra o Atlético-MG, domingo.
Rueda deve
chegar até o fim da semana, mas o Flamengo aguarda a finalização do acordo para
que o treinador seja anunciado e apresentado pelo clube. No sábado pela manhã,
o time treina no Rio e viaja para Belo Horizonte.
A diretoria ainda não confirma a contratação e muito menos que Rueda
acompanhe o jogo em Minas Gerais. Para enfrentar o Botafogo, Rueda só teria
segunda e terça-feira para participar das atividades no clube - e apenas um dia
com o grupo completo, já que os dias seguintes às partidas são treinos de
recuperação de quem atuou no dia anterior.
Se nas quatro
linhas a presença de gringos tem sido constante, à beira do campo a iminente
chegada de Rueda encerrará um longo jejum de 36 anos sem um treinador
estrangeiro no clube da Gávea. O colombiano será o décimo gringo a dirigir o
Rubro-Negro em 101 anos de futebol.
A última aposta foi no paraguaio Modesto
Bria. Ídolo nos tempos de jogador, o ex-zagueiro do primeiro tricampeonato
carioca do clube (1942-43-44) teve cinco passagens no comando do time.
Na derradeira
oportunidade, ficou apenas 17 jogos no cargo em 1981, sem conseguir fazer
engrenar a equipe que tinha Zico, Adílio, Júnior, Leandro, Andrade... Ainda
assim, deixou seu nome marcado: era o treinador nos 8 a 0 sobre o Fortaleza,
maior goleada rubro-negra em Brasileiros. Bria foi sucedido por Paulo César
Carpegiani, que viria a ser campeão carioca, da Libertadores e do Mundial
naquele ano, além do Brasileiro de 82.
Outro
tricampeão carioca como jogador (1953-54-55) e também ex-treinador do Flamengo,
Evaristo de Macedo acredita que Rueda pode fazer um bom trabalho no Brasil, mas
adverte que o bom retrospecto no seu país, onde levou o Atlético Nacional ao
título da Libertadores em 2016, não é garantia de êxito quando se cruza a
fronteira.
- Ele é um treinador de sucesso, só que lá (na Colômbia). Aqui é
diferente. Quando se trabalha fora, você precisa se adaptar rapidamente aos
novos costumes, à vida local. Para isso, os jogadores sul-americanos vão
ajudar. Mas a vida de um treinador não depende só do bom trabalho que ele
possa fazer, dos seus métodos de treinamento, e sim dos resultados em campo.
Para isso, ele precisa ter bons jogadores, e nesse sentido o Flamengo possui um
time bem equilibrado, isso facilita - observou Evaristo, de 82 anos.
Evaristo chegou
ao Flamengo em 1953, vindo do Madureira, e iniciou sua trajetória na Gávea
junto com o treinador estrangeiro de maior sucesso do clube, o paraguaio
Fleitas Solich. A segunda partida de Evaristo com a camisa rubro-negra, uma
vitória por 3 a 2 sobre o Santos, no Maracanã, marcou a estreia do Feiticeiro,
como era conhecido Solich.
Sob o comando
de Solich, o Flamengo de Evaristo conquistou o segundo tricampeonato carioca da
sua história. Solich foi técnico do Paraguai na Copa do Mundo do Brasil, em
1950, e três anos depois chamou a atenção ao levar seu país ao título da Copa
América, vencendo o Brasil na decisão por 3 a 2. Para Evaristo, o Brasil era
mais aberto a treinadores importados do que hoje em dia.
- Naquela época, havia outros estrangeiros trabalhando aqui, como o
uruguaio Ondino Vieira, no Fluminense (terceiro treinador com mais jogos na
história tricolor, 266). Hoje a pressão é muito maior, o cara tem que
conquistar não só os jogadores mas a torcida, o público em geral. É difícil -
opinou.
Depois de seis anos
na Gávea, Fleitas Solich cruzou o Atlântico em 1959 para dirigir o Real Madrid,
mas deixou o clube merengue no ano seguinte. Voltou ao Flamengo para ser
campeão novamente, do Torneio Rio-São Paulo de 1961. Retornou para uma última
passagem em 1971, quando encerrou carreira. O Feiticeiro é até hoje o segundo
treinador que mais vezes dirigiu o clube, em 504 jogos, atrás apenas de Flávio
Costa (765 partidas).
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