Stamford Bridge foi o palco para o reencontro do atual campeão inglês com a sua torcida, diante do modesto Burnley. Olhando para os retrospectos, era possível concluir que seria mais uma vitória tranquila para os Blues, afinal, estávamos falando do confronto de um time que vinha de 11 vitórias consecutivas pela Premier League em seus domínios contra o outro que havia conseguido apenas uma vitória fora de casa na temporada passada. Na comparação dos onze iniciais, a disparidade ficava ainda maior. Tudo conspirava a favor do Chelsea. Mas quem disse que futebol é uma ciência exata?
O Chelsea foi a campo com: Courtois; Rüdiger, Cahill e David Luiz; Azpilicueta, Kanté, Fábregas, Willian e Marcos Alonso; Boga e Batshuayi. A vitoriosa formação com três zagueiros foi mantida. De surpresas, somente a estreia do zagueiro alemão Rüdiger(campeão da Copa das Confederações) e a ausência de Hazard, que ainda tem futuro incerto no Chelsea. A principal contratação da temporada, o atacante Morata, apenas começou no banco. Do outro lado, o Burnley vinha com: Heaton; Lowton, Tarkowski, Mee, Ward; Defour, Cork, Hendrick, Brady, Gudmundsson; Vokes. Destaque para a estreia do volante Jack Cork, contratado junto ao Swansea.
O desastre começou cedo para o Chelsea. O time estava rodando bem a bola, tentando achar espaços até que aos 12 minutos de jogo Cahill erra na dosagem do carrinho e acaba acertando Defour: vermelho direto! Com um a menos, Conte tentou recompor a zaga sacando Boga –que vinha bem– para colocar o dinamarquês Christensen. Erro grosseiro. A entrada de um zagueiro com tão pouco tempo de jogo talvez tenha sido precipitada. A equipe de Conte perdeu completamente o meio de campo com a saída de Boga, ao passo que haviam três zagueiros para marcar o solitário Vokes. Como quantidade não quer dizer qualidade, lá estava perigoso atacante galês para punir o Chelsea: aos 23 minutos, em cruzamento de Lowton, Vokes se antecipa nas costas de David Luiz, não pega muito bem na bola mas ela acaba morrendo no canto da meta defendida por Courtois. 1 a 0 para os visitantes e o prenúncio de um desastre.
Burnley então passou a dominar completamente as ações do jogo. A equipe do Chelsea estava perdida: Kanté, Fábregas e Willian estavam complemente sobrecarregados no meio campo, enquanto a equipe formava uma linha de cinco defensores atrás. Tanta cautela para nada. Aos 38, em uma belíssima tabela –de um time que se caracteriza pela jogada aérea– Ward recebe pela esquerda, entra na área e manda um tiro cruzado para o gol. Golaço! 2 a 0 Burnley e o semblante cada vez mais fechado dos londrinos. Nem deu tempo de se remoer pelo segundo gol. 4 minutos depois, em nova falha de David Luiz, Vokes aparece sozinho para aproveitar o cruzamento de Defour e testa firme para o fundo do gol. 3 a 0 Burnley! O campeão inglês estava sendo amassado pelo Burnley dentro de Stamford Bridge. O trio de zagueiros, que outrora era tão sólido, agora batia cabeça para encontrar Vokes. Um primeiro tempo tenebroso.
Na volta para o segundo tempo, nada de alterações. Ao menos de jogadores, porque o Chelsea voltou agredindo mais, conseguindo finalmente trocar passes. Alonso chegou a arriscar um bom chute de fora da área, botando o goleiro Heaton para trabalhar pela primeira vez no jogo. Conte então decide trocar a guarda: sacou o tímido Batshuayi para a entrada de Morata. Se é possível dizer que o italiano foi infeliz na primeira substituição, pode-se dizer que foi muito bem na segunda: em bela jogada do então sumido Willian, Morata aproveita o cruzamento e mergulha para diminuir a vantagem dos visitantes. Agora 3 a 1 Burnley, aos 23 minutos do segundo tempo.
O momento agora era do Chelsea, os Blues se lançaram ao ataque. 5 minutos após o gol, em nova jogada de Willian, Christensen recebe e bate cruzado, Morata desvia para o fundo das redes. Porém não valeu: o atacante espanhol se encotrava ligeiramente adiantado. Pressão total do Chelsea. A cada lance de falta os londrinos pressionavam o árbitro por cartões, cada lance na área era um pedido de pênalti. Não foram atendidos. Em mais um carrinho negligente, desta vez de Fàbregas, outra expulsão. O meia levou o segundo amarelo e deixou o Chelsea com apenas nove em campo. A missão parecia cada vez mais impossível. Eis que já na marca dos 43, Morata faz bem o pivô e deixa David Luiz livre para marcar o segundo do Chelsea. 3 a 2! O empate já era realidade? No finalzinho do jogo, em confusão na área, Alonso recebe, chuta cruzado, mas Morata aparece como zagueiro do Burnley e bloqueia a finalização. Não era o dia. Final: Chelsea 2 x 3 Burnley.
Em uma partida para esquecer, os Azuis de Londres foram derrotados pelo Burnley em sua estreia na Premier League. Do Burnley, o exemplo de que não é necessário grandes quantias para montar um elenco minimamente competitivo. Méritos para Sean Dyche, ''o Mourinho Ruivo'', como é carinhosamente chamado pela torcida dos Clarets. Já para o Chelsea, soa o alarme da necessidade de se reforçar. Principalmente dada a possibilidade de perder seus dois melhores jogadores(Diego Costa e Hazard). Os fantasmas da terrível temporada 15/16 estão aí para demonstrar o que acontece quando um campeão resolve subestimar a Premier League.
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